quinta-feira, 02 de maio de 2024

Toxoplasmose congênita

A toxoplasmose é uma infecção causada pelo parasita Toxoplasma Goondi. A transmissão ocorre através da carne mal-passada, ou do contato com fezes de gatos contaminados. Outros animais domésticos, como cães ou pássaros, não transmitem o parasita, pois somente no gato o parasita completa seu ciclo evolutivo e torna-se capaz de infectar o homem. Sintomas inespecíficos como febre, cansaço, dor de garganta e aumento dos linfonodos podem ocorrer. A maioria dos adultos permanecem assintomáticos. Na maioria dos casos, uma vez tendo adquirido a doença, a infecção não ocorre novamente.

Mulheres que criam gatos, que costumam comer carne mal-passada e que apresentarem os sintomas citados acima têm um risco aumentado para a infecção.

Nos Estados Unidos, aproximadamente dois-terços das mulheres nunca tiveram a doença e correm o risco da infecção. Um exame de sangue pode determinar se a pessoa já foi afetada. O ideal seria que as mulheres realizassem o exame antes da gestação. Se a infecção for diagnosticada durante a gestação, outros testes serão necessários para determinar se a infecção é recente ou não. Muitas vezes, o teste é de difícil interpretação e pode ser necessário mandá-lo a um laboratório especial.

O Toxoplasma Goondi pode ser encontrado em carne mal-cozida, ovos crus e leite não pasteurizado. Gatos que comem carne crua e roedores podem ser infectados, e o parasita permanece vivo nas fezes dos gatos por duas semanas. Desta forma, gestantes e mulheres que desejem engravidar não devem limpar ou trocar objetos com esses dejetos. Os ovos do parasita permanecem nas fezes dos gatos por 18 meses. Para evitar a infecção em gestantes deve:

- cozinhar bem a carne;

- usar luvas quando mexer no jardim;

- lavar todas as frutas e vegetais;

- lavar bem as mãos após manusear com carne crua, frutas e vegetais;

- não mexer ou limpar as fezes dos gatos.

A toxoplasmose congênita ocorre apenas quando as mulheres apresentam a infecção ativa durante a gestação. Em geral, não há risco para o feto quando a infecção ocorre mais de 6 meses antes da gestação. Mulheres com algum grau de imunodeficiência podem desenvolver a doença mais de uma vez.
O parasita da toxoplasmose é conhecido por atravessar a placenta. Em cerca de 40% dos casos nos quais a gestante tem toxoplasmose, o bebê é infectado. As crianças que são infectadas durante a gestação apresentam toxoplasmose congênita. Dentre os agravos anatômicos e funcionais decorrentes dessa afecção, podem ser observados restrição de crescimento intra-uterino, morte fetal, prematuridade, bem como lesões em órgãos como coração, cérebro, olhos, baço e fígado. Os efeitos a longo prazo incluem convulsões, retardo mental, paralisia cerebral, surdez e cegueira. Muitas crianças infectadas não terão problemas ao nascimento.
Quando a mãe é infectada entre 10 e 24 semanas de gestação, o risco de seqüelas importantes para o recém-nascido é de 5-6 %. Quando a mãe é infectada em um período mais tardio da gestação, a chance de o bebê apresentar seqüelas é muito pequena.
Sabendo-se que a infecção da gestante é recente, há muitas formas de verificar se o feto foi afetado. O líquido que envolve o feto ou o sangue fetal podem ser examinados para determinar a presença da infecção. Entretanto, se o feto estiver infectado, estes exames não demonstram a gravidade da doença. Cerca de um terço dos bebês com toxoplasmose congênita apresentam problemas que podem ser diagnosticados pela ecografia (microcefalia com hidrocefalia, calcificações cerebrais, ascite fetal e alterações de ecotextura hepática e esplênica). Após o nascimento, um exame de sangue deve ser realizado pelo bebê.
A toxoplasmose materna pode ser tratada com sucesso com determinados antibióticos. O diagnóstico precoce e o tratamento diminuem as chance de infecção fetal. Caso o bebê já tenha sido infectado, o tratamento com outras medicações podem tornar a doença menos severa. Entretanto, o tratamento pode não prevenir os efeitos no bebê. O tratamento durante o primeiro ano de vida pode ser muito útil.
Bebês com toxoplasmose congênita geralmente não apresentam nenhuma alteração ao nascimento. Ainda assim, estudos a longo prazo mostram que mais de 90 % desenvolvem problemas de cegueira, surdez, e retardo de desenvolvimento. Estes sintomas podem surgir meses ou anos após o nascimento. Por esta razão, crianças com toxoplasmose congênita devem ser tratadas durante o primeiro ano de vida e periodicamente examinadas.